Sinuca de Terra

Foto de autor desconhecido / fonte internet

sobre as diferenças entre ter e ser

Meu amigo músico e professor de teatro na UFMG Tadeu, depois de ler a postagem sobre seu trabalho no Rodapião, me enviou esta imagem, parece que tem rodado na internet… incrível! Conversa diretamente com a minha compreensão do brincar e da expressividade humanas: o brincar prescinde de brinquedos; requer relações humanas, e sangue, suor e lágrimas. Riso também, claro…

Se não tenho uma mesa de sinuca… fabrico?! Não é interessante pensar a necessidade de “indústria cultural infanto-juvenil” às avessas? Sintonia fina com Victor Turner e com a noção de antiestrutura.

Mas é preciso cuidar para não fazer a “apologia da pobreza”. Pois o mesmo uso criativo do barro, e o contexto e a ambientação da foto, me lembraram de algumas reportagens que assisti sobre mães de crianças subnutridas na região mais árida do continente africano assando biscoitos de terra. A matéria mostrava o processo de feitura e o resultado: a criança comia, no final, um cookie de terra. Isso não tem graça nenhuma, e nos leva a pensar tantas coisas, sobre a indústria alimentar mundial, o lixo cotidiano nas cidades e a população de rua abrindo os sacos na madrugada, para encontrar algo para comer, e também penso bastante na complexidade do fenômeno da obesidade, batendo nas portas de um Brasil “emergente”.

É por essa e por outras que vale a pena continuar a trabalhar com crianças, pensar a infância e as relações adulto-criança, e incentivar os jovens a olhar para tudo isso, e procurar semear neles o desejo de querer mudar o mundo.

(Eu ainda quero! Será que dá tempo?)

 

 

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