Mapeie-se!

A partir de um caminho inicialmente bastante intuitivo, certamente influenciado pela experiência na juventude na Casa do Ventoforte, onde Ilo Krugli propunha aos atores – e também às crianças – o desenho do Mapa da Vida, fui percebendo que grafar, desenhar, garatujar, esboçar e imaginar mapas é um modo muito interessante de fazer planos, resumos, sínteses, projetos de futuro, etc… de modo que o que se esboça não precisa ser nem definitivo, ou fixado, ou “bem feito”. Os mapas podem ser frágeis, provisórios, e revelar apenas um lampejo, ou o momento vivido enquanto se lê um texto importante, ou maneiras de apresentar ao outro o que os psicanalistas chamariam de “mundo interno”; na língua fenomenológica, fica melhor dizer: mostrar como estamos-com-o-outro-no-mundo. Na língua da arte contemporânea… um work in process grafado. Podemos também não mostrar, mas o mapa resistirá ao tempo, e será registro de um modo de pensar, sonhar, criar, refletir.

eu mapeando o Parque Municipal de BH

 

 

Vivi a experiência de propor o “mapear de si e de sua pesquisa” na disciplina que lecionei na pós-graduação da Escola de Belas Artes, e também, o “mapa interpretativo” de propostas de arte com crianças, nas orientações de TCC no curso de especialização em Educação Infantil que participo na Faculdade de Educação. As duas experiências estão terminando com o final do semestre e do ano. Por meio das imagens de cada um, o mapa dá a ver: quem é você, onde você está, para onde você vai. Mesmo sem sair do lugar. Isso é o que há de mais íntimo na experiência de imaginar e fantasiar. Mesmo sem sair do lugar, estamos nos transportando para contextos, situações, climas e atmosferas. Espaços de nossa morada.

 

 

 

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