Cooper, o gato fotógrafo

Nesta manhã de outono “deu no UOL”:

Gato Cooper de cinco anos tira fotos do cotidiano com câmera no pescoço

Trata-se de um gato laranja (meus preferidos!) cujos donos teriam feito “um experimento geográfico” para pesquisar as necessidades e o dia a dia do gato. Posso certamente dizer: Cooper, o gato fenomenólogo! E este post será irmão de um outro, veja lá: “O cachorro é melhor terapeuta que o homem”…

Brincadeiras a parte, penso que o mérito do experimento com Cooper é mostrar a visão do gato, cerca de 30 cm do chão; pensando na fenomenologia da criança, seria algo muito interessante para se fazer um paralelo, uma vez que poucos adultos se preocupam com a espacialidade do bebê e da criança muito pequena: penso que é algo muito pouco tematizado, enquanto outros assuntos, tanto do âmbito biológico quanto do âmbito cultural, seriam campeões de audiência: sono, trato intestinal, soluço, arroto… roupas confortáveis e brinquedos estimulantes… Mas qual o melhor espaço, do ponto de vista do próprio bebê? Ou ainda, como o bebê experiencia a gênese da noção de espacialidade, especialmente no que diz respeito a ter um “eu” e discernir o outro e as coisas do mundo?

Voltando ao possível paralelo entre gatos e crianças, o gosto pelo colo parece algo em comum, ao menos para os filhotes. Depois… o chão e o céu! A terra e o ar: poder pular, lançar-se, escalar, descer, subir novamente… Sair de casa e conhecer novos ambientes, atmosferas, cenários para brincar e conhecer onde se vive.

Um casal francês na década de 1990 tentou fazer fotografias “do ponto de vista da criança”. Está editado em livro: A criança no mundo dos adultos (São Paulo: Editora Augustus, 1996). Escolas de Educação Infantil também estão dando nas mãos de crianças bem pequenas câmeras digitais para que fotografem… Já vi resultados muito interessantes. De todo modo, entre adultos e crianças haverá sempre o dom do gesto e da palavra, para criarmos interlocuções entre pontos de vista: educação dialógica que semeará saberes éticos, estéticos e políticos, como gostam de nomear os estudiosos de Delleuze.

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