Como doar teatralidades

desenho para colorir

mergulhem comigo nesta experiência

Marco Zero

Entre terça e quinta-feira desta última semana de setembro que passou, dei as primeiras aulas de cinco disciplinas que me couberam para o segundo semestre de 2012; é, no entanto, meu primeiro semestre de experiência na graduação em Licenciatura em Teatro da Escola de Belas Artes, UFMG. Situar-me neste lugar, de modo concreto e simbólico, ter frequentado reuniões e também assembléiasdurante a greve, subir e descer escadas na direção dos gabinetes, criar uma rotina própria, antes das aulas mesmas, me ajudou bastante (ironias do estado de greve…): nestas aulas já pude me sentir parte da casa. Aliás usei bastante imagens de casa, tais como abrir a porta e uma janela, para aquilo que chamei “aulas zero”.

desenho para colorir

buscar novas posições

Chamo aulas zero as aulas de apresentação do programa, do professor aos alunos e dos alunos ao professor. Mesmo assim indiquei alguns “textos zero” das aulas zero… textos bastante simples que introduzem a temática da disciplina, geralmente ainda de modo não acadêmico. Perpassam pelos textos zero as temáticas dos cursos, de projetos especiais à temática Monstros em uma disciplina de estágio, e percebi como os alunos da UFMG estão abertos e interessados nestas formas e nestes conteúdos, que pretendo transformar – quem me conhece sabe – em formas-conteúdos.

Falar do ensino do teatro para adultos jovens é algo que me desafia e que também mexe com 30 anos de minha história profissional-pessoal, pois comecei a dar aulas de modo absolutamente empírico e ingênuo na Casa do Ventoforte, em 1981. As aulas eram de “arte integrada”. Depois passou a ser algo chamado de “integração de linguagens”, “processos interartísticos”, ou, como agora, mais contemporaneamente, formas híbridas, experiência em artes sem fronteiras distintas…

Trabalhar com a integração entre teatro e o brincar de faz de conta será a principal das formas-conteúdo dos meus cursos, especialmente aqueles que envolvem experiências com a prática teatral. Também quero propor pesquisar, no cotidiano dos alunos, a integração entre as artes visuais, o brincar e a teatralidade, a partir do que chamei no meu percurso de o “brinquedo-sucata” e que hoje se chama, na linguagem pedagógica e politicamente correta, “materiais não-estruturados”.

desenho para colorir

dar saltos para o desconhecido

Nos estágios vou propor que os alunos preparem pequenas instalações em espaços públicos: formas-conteúdo que digam algo para os transeuntes (não apenas às crianças, mas especialmente para elas, pois penso serem mais abertas!); e que este algo a dizer seja traduzido, na nossa didática, por doação de teatralidades.

Também estou esboçando uma equação a ser discutida, burilada: tempos dilatados para espaços encontrados [igual a…: não sabemos de antemão].

Nestes espaços encontrados vamos observar o que fazem os transeuntes, e o que não fazem. Considero este procedimento algo que segura a ansiedade de intervenção do aluno, de modo que ele compreenda a importância de conseguir dar foco no outro, foco no espectador, por assim dizer. Trata-se de conduzir uma iniciação à arte contemporânea, na chave relacional: eu com os alunos da graduação, eles entre si, eles com os transeuntes dos espaços encontrados.

desenho para colorir

se necessário caia de paraquedas

desenho para colorir

deixe-se cair do cavalo

desenho para colorir

crie e admire seus passos zero

 

 

1 comment for “Como doar teatralidades

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *