EMIA

Minha experiência na EMIA

Em 1989, primeiro ano da gestão da prefeita Luiza Erundina em São Paulo, entrei para o corpo docente da EMIA – Escola Municipal de Iniciação Artística. A escola tinha nove anos de existência e tornou-se uma espécie de “equipamento modelo” naquele momento, cuja Secretária de Cultura foi a professora Marilena Chauí, que muito valorizou o ensino de arte para crianças em um escola pública; dizia-se que a EMIA era a “menina dos olhos” da Secretária. Foi uma gestão que permitiu a escola crescer e projetar seu futuro de ampliação.

Para mim, entrar para esta escola significou a retomada do trabalho com crianças bem pequenas; entrei para ser professora de arte das crianças de 5 e 6 anos, que na EMIA são “os menores”; até hoje a escola atende crianças entre 5 e 13 anos. Funciona dentro de um Parque Público, em frente ao metrô Conceição, no bairro do Jabaquara. É um lugar apaixonante, muito energizado e que também exige bastante dedicação e doação de energia de quem ali trabalha. Trabalhei lá entre 1989 e 2001, quando ganhei a bolsa de mestrado FAPESP, e voltei no período entre 2003 a 2009.

Em 1993, a escola passou por algumas modificações que me fizeram escolher ser parte da área de Teatro. Nos quatro primeiros anos de trabalho na EMIA desenhei minha identidade como arte-educadora mais voltada para o fazer artístico das construções em três dimensões, desenhos, pinturas, modelagens: o que me levou a escrever meu livro O brinquedo-sucata e a criança. No entanto, quando chegou a proposta da criação das áreas de Linguagens Artísticas na escola, anteriormente denominadas apenas “Expressão” e “Musicalização”, passando a serem nomeadas as áreas de “Música”, “Artes Plásticas” (hoje “Artes Visuais”), “Teatro” e “Movimento”(hoje “Dança”), optei por permanecer na área de Teatro; era mais desafiador para mim.

Também ensinei teatro para crianças maiores, para adolescentes, e para pais; realizei por um ano um trabalho junto à comunidade adulta, com mães, avós e cuidadoras: Projeto  “Grupo de Mães e Adultos Cuidadores”. Esta foi uma contribuição possível a partir de minha formação como psicóloga.

Quase sempre o professor da EMIA trabalha em duplas, especialmente no trabalho com crianças de cinco a oito anos; depois existem os grupos com formação de Quarteto de professores, um de cada área, enquanto os alunos estão entre 9 e 10 anos de idade; e, no final do currículo, as crianças optam por apenas uma das linguagens artísticas para se aprofundarem. Foi rico e gratificante conviver com colegas das áreas de música, das artes visuais e da dança; aprendi muito e troquei muita coisa.

Não permaneci na EMIA pois não existe algo como um “plano de carreira” para os professores e, ao longo dos anos, me graduei em Psicologia, fiz mestrado e doutorado; fui embora em busca de um salto qualitativo nos meus ganhos financeiros, bem como em busca de novas possibilidades de trabalho com gestão pedagógica, tanto no âmbito das artes como no da psicologia. Também estava insatisfeita com um tipo de dicotomia que percebia na escola: no geral, o espaço do fazer esteve e está, já fazem 30 anos, sempre em primeiro plano; diria até mesmo que, nas prerrogativas de hoje, o “fazer” encontra-se sobrevalorizado — em detrimento do “ser”: espaço para pensar e transmitir esse fazer/pensado.

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