Realities com crianças?

Reality show com crianças: um sofrimento desnecessário

doce é pra comerQuero conversar com os leitores e frequentadores do Agachamento sobre o fenômeno “reality show” feito com participantes crianças. Me remeto ao episódio de estreia de Junior Bake Off Brasil em sua segunda temporada, que aconteceu ontem de noite no SBT (dia 16 de fevereiro de 2019), como disparador desta postagem.

Assistir ao episódio me deixou um tanto desassossegada…

Então, hoje cedo fui ao site oficial, e percebi que simplesmente 15 mil adultos, ou 15 mil famílias brasileiras, se dispuseram a inscrever seus filhos – dos quais foram, segundo o site, selecionados os 10 participantes desse primeiro episódio. São meninos e meninas entre 7 e 12 anos de idade. Os adultos que conduzem o reality são Nadja Haddad (considerada “apresentadora”), Olivier Anquier e Beca Milano (considerados “jurados”). Todos os participantes já “amam” esses adultos… pois são, eles mesmos, espectadores afoitos e fãs da primeira temporada, e talvez (e provavelmente até) dos Bake Off Brasil com adultos, amadores e profissionais.

Quem quiser se aprofundar sobre todas as pessoas envolvidas no programa atual, recomendo que entrem no site oficial do programa: https://www.sbt.com.br/bakeoffbrasil/

Aqui, vou falar como pessoa de teatro e psicóloga formada. Quero procurar por uma abordagem mais filosófica e existencial do que vi ontem… Pois me espantei, poderia até mesmo dizer, me senti mal pelas duas crianças “desclassificadas” (que, na edição, choraram bastante…: imagine no estúdio mesmo!).

Não me espanta o choro ou a desilusão, mas antes, o fato de que as crianças foram selecionadas a partir de 15 mil inscritos. Fica claro o olhar da produção & marketing do programa: escolheram “tipologias”. Entrem nos perfis que estão no site oficial, e verão… Há quem seja apresentado como “uma verdadeira princesinha” e também como “um verdadeiro ‘lobinho’”. Ah, e uma menina que é “um docinho”.

O programa é definido por uma “disputa de confeiteiros amadores” e é recomendado para “todas as idades”.

No entanto que vi foi de grande crueldade! Digo crueldade dos adultos que inscreveram suas crianças para “disputar”. A crueldade está no fato de que, quando diante de câmeras e de desafios que implicam em um tempo-espaço determinado e de receitas dadas pela produção do programa, o grau de estresse foi inimaginável – especialmente para as crianças entre 7 e 8 anos. Ao menos dessas crianças específicas (selecionadas entre 15 mil!).

Todos sabem que a perspectiva adotada por mim no Agachamento não é de fixação em faixas etárias ou em adoção de aspectos teóricos e fixos do desenvolvimento humano; minha perspectiva é existencial. Ou seja: penso no grau de estresse quando imagino que uma criança de sete anos, sete anos atrás era um bebê. Sete anos depois… como e por que um pai e ou uma mãe querem que “seus bebês” enfrentem uma competição desse porte?

Há muito pouco tempo, questão de dias, meninos morreram queimados em um alojamento de treinamento juvenil ( “categorias de base”) para a profissão de jogador de futebol. Faço a analogia porque esses dez participantes do Junior Bake Off Brasil estariam, eles mesmos, sendo treinados para a profissão que no Brasil se chama “confeiteiro”. E a analogia vale também para trazer o grau de dramaticidade do que vi na tela de minha TV na noite de ontem.

biscoito caveira

 

Vale? Dez anos de infância (que não voltam mais) com foco no futuro?

Que futuro?

Da fama e do dinheiro, talvez; e para poucos.

O tempo presente foi de estresse desnecessário, ao menos para mim, espectadora de 57 anos de idade e muito longe desse “sonho”: de um filho confeiteiro, cheio de dinheiro.

(Ou sou eu que estou sendo cruel?)

Ficou evidente a situação de estresse pela atitude dos adultos, apresentadora e jurados, querendo “positivar o fenômeno” da desclassificação; querendo escolher palavras de mérito para algo que, mesmo aos 7 anos de idade, se sabe que não tem valor positivo – dada a lógica competitiva do programa e tudo o mais daquela moldura.

Podemos apenas imaginar o que está por trás de pais que inscrevem seus filhos e se encontram, por assim dizer, nas coxias da fama mirim… Pois é como se, para o espectador comum, eles (os participantes) fossem pessoas autônomas, uma vez que os pais não estão sendo filmados e entrevistados estrito senso.

Papel dos pais: treinar o filho e assinar a cessão de imagem. E com certeza uma porção de outras concessões. E treinamentos.

Faz parte da produção e execução do reality a crença na autonomia das crianças… mas nada sabemos sobre como é o convívio estrito senso, uma vez que o que assistimos foi cuidadosamente editado. Faz parte do show, que não pode parar.

No entanto, mesmo cuidadosamente editado, foi ficando claro que alguns dos participantes foram se fragilizando demais no decorrer do tempo-espaço do programa, chegando, antes mesmo da desclassificação, às lágrimas – e a confusões mentais e psíquicas. Exemplos dessas confusões (as que a produção quis nos mostrar): um menino não sabia como medir o potinho de água, e colocou a água com o pote inteiro no recipiente, sendo, em seguida, “pacientemente” ajudado pela apresentadora que mostrou seu “engano”; outros dois ‘perderam’ no freezer suas formas de doce e diziam algo como “alguém pegou minha gelatina”!

Nos primórdios dos estudos psicanalíticos sobre a infância, Melanie Klein formulou como conceito a “posição bebê persecutorioesquizo-paranóide”: um estado psíquico, grosso modo, de fragilidade inicial no qual nos vemos entre a sensação irreal de que criamos o mundo, e o comandamos, e o sentimento persecutório (de que estão programando nos fazer mal, nos trair, nos machucar…). São momentos constitutivos da pequena infância de todos, e que cabe ao adulto cuidador sua modelagem, ou seja, a compreensão desses abismos e pequenos grandes desesperos, que, a partir de muita conversa e contenção afetiva (atitude de “holding”, segundo outro psicanalista, Winnicott) podem dar lugar a um jeito de ser mais maduro, com maior flexibilidade e capacidade para lidar com o conflito e com o Outro.

O que vi diante dos meus olhos de espectadora sênior do Junior Bake Off Brasil foram momentos muito difíceis do ponto de vista da criança, e reações muito despreparadas do ponto de vista dos adultos (e relembrando: são imagens editadas!).

Portanto, todos se encontravam infantilizados. Tal qual o participante de sete anos que tem um bicho de pelúcia seu “ajudante de cozinha”.

Mudou o mundo ou mudei eu?

Ok, jovens agachados, sei que estou envelhecendo.

Mas é uma posição interessante e importante – acenar para os mais alegrinhos que não se enganem, estamos “dominados” por mercados e nichos… E pela potente indústria cultural. Simples assim.

industria cultural

 

 

 

 

Oficina de Pequenas Dramaturgias para alunos do Ensino Médio e seus professores

foto de Lucio Honorato

foto de Lucio Honorato

Durante o Festival de Verão da UFMG, organizado todos os anos pelo DAC / Departamento de Ação Cultural da UFMG, vou dar uma oficina para jovens e seus professores de teatro.

A sinopse:

Esta oficina é uma proposta conectada com o projeto UFMG-Jovem e vai receber três turmas de jovens do Ensino Médio interessados na escrita de dramaturgias, bem como seus professores de Teatro. Seu objetivo é abrir a possibilidade de escrita de cenas curtas, nas modalidades dramática, épica e pós-dramática, a partir de elementos teatrais simples bem como cenas do cotidiano.

Nosso público-alvo:

Jovens estudantes do Ensino Médio interessados na escrita para teatro e professores de teatro para crianças e jovens interessados em dramaturgia.

Acessem o site para se inscrever: https://www.ufmg.br/festivaldeverao/

E para compreender melhor a proposta, vejam esta breve entrevista concedida ao Boletim UFMG:

Você pode me descrever, em poucas palavras, como será a oficina de Pequenas Dramaturgias?

A oficina Pequenas Dramaturgias vai trabalhar com criação de textos teatrais bem curtos, baseados em diálogos, narrativas e misturas de estilo não tradicionais – a isso chamamos por exemplo de “dramaturgia do corpo” ou “dramaturgia do espaço”.

A partir das escolhas dos participantes, tais como músicas, pequenos poemas, tirinhas de quadrinhos, aprenderemos alguns princípios da transformação de uma mídia em outra: quadrinhos em texto de teatro, poema em narrativa dramática, além de roteiros curtos para serem improvisados por alguém ou por um grupo.

Quais as suas expectativas?

Minha expectativa está no interesse de jovens por esse tipo de escrita, bem como na divulgação da existência de um dramaturgo “por trás” das peças de teatro. A oficina poderá ser um empurrão na direção de pesquisa e informação, para que jovens interessados por teatro e seus professores sintam-se capazes de escrever seus próprios textos teatrais no futuro próximo.

Como o ensinamento de técnicas de escrita de dramaturgia pode contribuir para a formação desses jovens do Ensino Médio?

Não diria “técnicas de escrita” mas sim “poéticas da cena”, ou seja, o trabalho com a palavra criativa é mais autoral do que técnico. Trabalhar um jeito próprio de escrever algo que possa ser lido de maneira teatral, e até mesmo encenado por seus pares e por qualquer interessado, é interessante e valioso, para todos – crianças, jovens, adultos e idosos. Isso demarca o conhecimento na área artística e a expressividade em gesto e palavra. A oficina está aberta para jovens estudantes do Ensino Médio que fazem teatro bem como para seus professores de teatro.

Em tese pensei a oficina como uma ação [micropolítica] ligada à UFMG Jovem – uma proposta na qual, segundo o site da Universidade, “estudantes do ensino fundamental e médio de escolas mineiras apresentam trabalhos científicos”—“uma feira de ciências e tecnologia da educação básica”.

E as artes?

Usualmente as artes moram noutro lugar, residem muitas vezes em algo nomeado como “entretenimento cultural”. Desde que fui convidada a participar do projeto, penso que a Escola de Belas Artes pode contribuir para mudar a chave daquela morada: que as artes sejam campo do conhecimento, tanto quanto as ciências e a tecnologia – “simples assim”. Por exemplo: há uma artesania muito própria no fazer teatral; habitamos um outro tipo de técnica, um tipo de saber: uso do corpo, do tempo-espaço, da palavra dita e escrita. Há muitas e muitas possibilidades de pesquisa envolvidas nisso.

No ano de 2019 acontecerá a vigésima edição da UFMG Jovem. Talvez, paulatinamente, as artes possam ganhar outra visada, como campo do conhecimento humano – como eu gosto de dizer: são âmbitos artístico-existenciais, que, acionados, nos fazem seres mais expressivos, dialógicos e criativos. Saravá!

A criança que fui não chora na estrada

“A criança que fui chora na estrada” é um poema maravilhoso de Fernando Pessoa, escrito em 1933.

No início deste ano de 2018, propus que o grupo de estudos MRACO lesse e pensasse sobre o poema… que cada um de nós percebesse se [ainda] chora na estrada…!?

… Mas quando eu vi minha foto – tirada em setembro deste ano pelo meu irmão Floriano – associei de imediato a imagem a outra foto (de 1968) e percebi, com clareza:

Foto Antes e Depois a criança que eu fui não chora na estrada

Ela me acompanha, diariamente. Não “a criança interior”: mas a criança mesma.

Meus primeiros dez anos de vida, do meu ponto de vista foram felizes – talvez e provavelmente ingenuamente felizes (fui criança nos anos iniciais da ditadura militar)…

O bairro de Pinheiros mora em mim, me habita.

Cada pedacinho da Rua Capote Valente; o bar do Zé na esquina da Cardeal (demoliram, virou estacionamento, agora parece que vai subir um prédio); a avenida Sumaré (“avenida do Papa”, rs, nos dizeres das crianças) que não existia… era um “buracão” de terra! E depois a vimos ser construída, desbravada.

O percurso do ônibus que passava na Rua Teodoro Sampaio e descia a Rua Cardoso de Almeida mora em mim. O percurso do ônibus que ia da Rua Teodoro Sampaio e descia a Rua da Consolação: mora em mim. O percurso…

Ah, acabou a infância.

Falo dos primeiros dez anos de vida.

Primeira e segunda infâncias.

Mas (não só) pelas imagens vejo: sou fiel à criança que fui.

Não fui tatibitate. Não fui princesinha (nem do papai, nem da mamãe). Vesti saia jeans “Calhambeque” – acho que era a “marca” da Jovem Guarda. Estudei o curso primário (primeira metade do ensino fundamental) numa das primeiras escolas “alternativas” de São Paulo. Andava com autonomia: ia andando para a casa da prima; voltava andando da escola, na mesma rua Capote Valente…

A criança que fui me acompanha; do mesmo modo, a idosa que serei. Temporalidade: tempo cronológico e tempo vivido, presente, passado, futuro, tudo junto misturado.

A idosa que serei faz planos para o ano que se inicia:

Abrir os braços na direção do novo (ah, não-jamais o partido!).

A existência cotidiana marcada pelos ciclos de alegria e luto.

so bad

Postagem a convite: Violeta Penna come, bebe e digere o livro AKASHA

Belo Horizonte, 29 de novembro de 2018

No segundo semestre de 2018 fiz o Estágio em Docência, por meio do Programa de Pós-graduação em Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, na disciplina “Princípios da fenomenologia da criança e a cena contemporânea”, ministrada pela professora Marina Marcondes Machado, minha orientadora de doutorado. A disciplina  apresentou a noção de ser humano da fenomenologia, as implicações daquele olhar para a fenomenologia da criança e, a partir de práticas de descrições densas de imagens e cenas cotidianas observadas, os alunos foram convidados à escrita de cenas teatrais em narrativa, diálogo e/ou roteiro de improviso. A partir das propostas de aulas da professora Marina aos alunos, fui também provocada: decido ensaiar possíveis textos de dramaturgias.

O primeiro texto surge na aula de 18 de outubro de 2018, quando Marina apresentou aos alunos o livro AKASHA de Duda Teixeira. Um livro-objeto cheio de fragmentos de textos poéticos, um pequeno tesouro de edição limitada. A partir de um dos textos do livro – uma carta escrita por Arnaldo Antunes ao autor – Marina listou elementos para discutir uma escrita criativa. Os alunos foram convidados a escolher um dos textos do livro e produzir pequenos textos em forma de diálogo, narrativa ou roteiro de improviso, tendo como referência a discussão da escrita criativa. Assim:

Escolho o seguinte texto/poema:

PARECE PRECE

PARECE PAREDE

PARECE PARADA

PARECE PORRADA

PARECE PERENE

PARECE PERECE

PARECE PIRADO

PARECE PARENTE

PARECE POENTE.

PARECE POEMA?

Duda Teixeira

Produzi, a partir do poema acima, dois textos. O primeiro uma narrativa e o segundo, um roteiro de improviso:

Uma mulher em prece parada em frente à parede do quarto, vê no seu rosto a porrada. Deseja que o roxo seja perene e não pereça. Será que está pirada? Ou será a luz do sol poente da tarde que fez a porrada se tornar poema?

POEMA PERENE

(De frente para a parede, duas mulheres parecidas, aparentemente parentes, no final da tarde de um sol poente, dançam)

– Explore os movimentos, gestos, ações, palavras a partir das seguintes palavras:

PRECE

PARADA

PORRADA

PERECE

PIRADA

– Repita continuadamente sem nunca terminar.

O segundo texto surgiu também no 18 de outubro, relato de uma cena vivida/observada durante aquele mesmo dia no meu encontro com uma criança:

A criança que não podia existir

No dia 18 de outubro estava em um centro cultural da cidade de Belo Horizonte, quando ouvi um barulho vindo da biblioteca. Assustei com o barulho, mas só me levantei, quando ouvi um movimento de pessoas indo para lá.

Quando cheguei, vi uma mãe de aparentemente 30 anos, o filho de aparentemente 9 anos, uma outra criança da mesma idade e dois adultos, em volta de um quadro do Sebastião Salgado. O quadro estava caído no chão e o vidro que recobre o quadro estava quebrado. No momento que cheguei, a mãe estava visivelmente transtornada e disse: -“Mas D., você nunca me deu trabalho. Não acredito. Nesses anos todos. Você nunca me deu trabalho.” Perguntei se o filho estava bem, se não havia se machucado. A criança me olhou, mas não disse nada. A mãe respondeu que não, e disse para o filho sentar na mesa e não mexer em mais nada. O menino mudo, com o braços rente ao corpo e um olhar que parecia não entender muito o que estava acontecendo, prontamente obedeceu a mãe. O menino parado ficou na cadeira, olhando para frente, junto com a outra criança, que sentou na cadeira ao seu lado, enquanto eu tentava acalmar sua mãe, que já estava com lágrimas descendo dos olhos e repetia várias vezes – “Mas Violeta, não entendo, ele nunca me deu trabalho”.

O visível transtorno “com o trabalho” que o filho lhe deu e a pouca preocupação com a integridade física do seu filho, que poderia ter sido gravemente ferido com os vidros, me deixou desconcertada. A mãe chorava e disse também que não voltaria ao centro cultural com o filho, para a aula que tinham à tarde, pois colocaria o filho de castigo, pelo trabalho que ele deu.

Conversei com a mãe (tentando explicar que foi um acidente), mas ela, ainda chorando, chamou o filho para ir embora junto com a outra criança. Sob esse chamado, o filho levanta da cadeira, mudo, sem expressão de qualquer reação e, ao lado da mãe, mas sem tocar nela, seguem a caminho de casa.

Depois que eles foram embora e durante várias vezes naquele dia, pensei porque a criança não reagiu, não chorou, não gritou de susto com o vidro quebrado, não falou com a mãe. O quadro tinha caído em cima dele e isso me parecia assustador para uma criança. Me perguntava sobre a frase repetida insistentemente pela mãe e como, para ela, era desolador aquela primeira vez que seu filho “lhe dava trabalho”, aquele filho que não agiu de acordo com o esperado, aquele filho-acidente. Pensei nas crianças que “não podiam dar trabalho”, naquela criança parada, muda, sem reação, sem brincadeira, sem riso, sem vida. A criança que não podia existir.

Talvez essa criança nunca tivesse sido desejada, tenha sido um acidente, uma violência.  E agora, o filho, criança-acidente nesta fração de segundo do vidro quebrado, torna-se criança-acidente, nasce outra vez no mundo, lembrando à mãe do seu próprio nascimento-acidente?

Nestas linhas acima escrevi pequenos ensaios de textos, construídos a partir de estímulos do Estágio em Docência. Percebi a potência da proposta das aulas ao descobrir novos modos de escrever, pensar e criar nas artes da cena. Pude me permitir ensaiar descrições e dramaturgias.

Não teria apresentação (respondendo a pergunta que Marina me fez, brincando com a palavra ensaiar que usei para criar coragem de escrever textos dramatúrgicos). Mas penso que essa postagem se tornou para mim, a apresentação de uma escrita que performa o curso em texto dramatúrgico.

Não é que teve apresentação?!

Violeta Vaz Penna

Convido a todos para o lançamento de Fim do infante em BH e SP

convite_fim do infante_SESC

Fim do infante é o título do meu quinto livro, que será lançado neste mês em Belo Horizonte e em São Paulo. Foi editado por Renato Rezende, editor da Circuito, uma editora independente do Rio de Janeiro. Renato é da minha geração e foi aluno do meu ex-marido Valdir Sarubbi, artista que, nas décadas de 1970 e 1980, nos deu aulas na modalidade “atelier livre” — no lugar de trabalho, o artista ensinava crianças, jovens e adultos a desenhar e pintar, por meio especialmente de técnicas expressivas. Um marco da época.

No livro Fim do infante reuni três textos dramatúrgicos. Convidei a Luciana Hartmann para fazer o texto de apresentação; Luciana é antropóloga e estudiosa do teatro, do ensino e da performance.

No lançamento em BH, dia 17, vamos ler um pedaço de um dos textos, na modalidade “leitura dramática”. Estamos preparando isso no MRACO: encontros cuja sigla quer dizer, de modo brincante, Movimento Rumo Ao Agachamento Coletivo.

No lançamento em SP, dia 31, vamos fazer um debate entre Renato, eu e Priscilla Vilas Boas, minha amiga que ensina dança na EMIA/SP e que hoje também trabalha com textos e livros didáticos, sobre o ensino de arte.

Estarei entre amigos nos dois momentos.

Talvez estar entre amigos seja, nessas semanas entre primeiro e segundo turno das eleições, a mais forte estratégia para permanecermos vivos. Preciso me sentir vital, com rigor e vigor no pensamento sobre o teatro e a infância. Quero que a vitalidade possa comunicar algo como um artivismo.

Um outro teatro é possível.

O livro Fim do infante fala sobre isso: um teatro inteligente e sensível para todas as idades. Um aprendizado meu também da década de 1980, a partir da formação na Casa do Ventoforte, lugar do grupo de teatro do mesmo nome e dirigido por Ilo Krugli.

Os textos foram escritos em um intervalo de quase 20 anos. O primeiro é leve e foi feito para ser encenado por crianças da EMIA-SP. Por meio de bilhetes escrevi diálogos não tradicionais, fragmentados, por vezes divertidos e por outras vezes tristes, e demasiadamente humanos… O segundo texto é a dramaturgia criada durante o ano do meu pos-doc supervisionado por Maria Lucia Pupo, em 2009, criado com base na observação de crianças em situações de espera em São Paulo, capital. O terceiro texto é documental, foi encenado onze vezes e para trinta e três espectadores no total, e trata da perda gestacional de meus filhos gêmeos, Evandro e Dimas.

O livro vai custar 30 reais e teve uma tiragem pequena. Considero-o um dos meus cinco trabalhos artísticos e intelectuais mais importantes.

Esperarei pelo leitor do Agachamento — para uma conversa ao vivo, olhos nos olhos, sem medo de ser feliz. Dia 17 de outubro no SESC Palladium (BH) e dia 31 de outubro na Livraria Blooks do Shopping Frei Caneca (SP). Até lá!

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