Oficina de Pequenas Dramaturgias para alunos do Ensino Médio e seus professores

foto de Lucio Honorato

foto de Lucio Honorato

Durante o Festival de Verão da UFMG, organizado todos os anos pelo DAC / Departamento de Ação Cultural da UFMG, vou dar uma oficina para jovens e seus professores de teatro.

A sinopse:

Esta oficina é uma proposta conectada com o projeto UFMG-Jovem e vai receber três turmas de jovens do Ensino Médio interessados na escrita de dramaturgias, bem como seus professores de Teatro. Seu objetivo é abrir a possibilidade de escrita de cenas curtas, nas modalidades dramática, épica e pós-dramática, a partir de elementos teatrais simples bem como cenas do cotidiano.

Nosso público-alvo:

Jovens estudantes do Ensino Médio interessados na escrita para teatro e professores de teatro para crianças e jovens interessados em dramaturgia.

Acessem o site para se inscrever: https://www.ufmg.br/festivaldeverao/

E para compreender melhor a proposta, vejam esta breve entrevista concedida ao Boletim UFMG:

Você pode me descrever, em poucas palavras, como será a oficina de Pequenas Dramaturgias?

A oficina Pequenas Dramaturgias vai trabalhar com criação de textos teatrais bem curtos, baseados em diálogos, narrativas e misturas de estilo não tradicionais – a isso chamamos por exemplo de “dramaturgia do corpo” ou “dramaturgia do espaço”.

A partir das escolhas dos participantes, tais como músicas, pequenos poemas, tirinhas de quadrinhos, aprenderemos alguns princípios da transformação de uma mídia em outra: quadrinhos em texto de teatro, poema em narrativa dramática, além de roteiros curtos para serem improvisados por alguém ou por um grupo.

Quais as suas expectativas?

Minha expectativa está no interesse de jovens por esse tipo de escrita, bem como na divulgação da existência de um dramaturgo “por trás” das peças de teatro. A oficina poderá ser um empurrão na direção de pesquisa e informação, para que jovens interessados por teatro e seus professores sintam-se capazes de escrever seus próprios textos teatrais no futuro próximo.

Como o ensinamento de técnicas de escrita de dramaturgia pode contribuir para a formação desses jovens do Ensino Médio?

Não diria “técnicas de escrita” mas sim “poéticas da cena”, ou seja, o trabalho com a palavra criativa é mais autoral do que técnico. Trabalhar um jeito próprio de escrever algo que possa ser lido de maneira teatral, e até mesmo encenado por seus pares e por qualquer interessado, é interessante e valioso, para todos – crianças, jovens, adultos e idosos. Isso demarca o conhecimento na área artística e a expressividade em gesto e palavra. A oficina está aberta para jovens estudantes do Ensino Médio que fazem teatro bem como para seus professores de teatro.

Em tese pensei a oficina como uma ação [micropolítica] ligada à UFMG Jovem – uma proposta na qual, segundo o site da Universidade, “estudantes do ensino fundamental e médio de escolas mineiras apresentam trabalhos científicos”—“uma feira de ciências e tecnologia da educação básica”.

E as artes?

Usualmente as artes moram noutro lugar, residem muitas vezes em algo nomeado como “entretenimento cultural”. Desde que fui convidada a participar do projeto, penso que a Escola de Belas Artes pode contribuir para mudar a chave daquela morada: que as artes sejam campo do conhecimento, tanto quanto as ciências e a tecnologia – “simples assim”. Por exemplo: há uma artesania muito própria no fazer teatral; habitamos um outro tipo de técnica, um tipo de saber: uso do corpo, do tempo-espaço, da palavra dita e escrita. Há muitas e muitas possibilidades de pesquisa envolvidas nisso.

No ano de 2019 acontecerá a vigésima edição da UFMG Jovem. Talvez, paulatinamente, as artes possam ganhar outra visada, como campo do conhecimento humano – como eu gosto de dizer: são âmbitos artístico-existenciais, que, acionados, nos fazem seres mais expressivos, dialógicos e criativos. Saravá!

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