Para fazer de 2018 um ano melhor

2018!

Alguns frequentadores do Agachamento podem ter pensado que o ano de 2017 foi “apolítico” para mim – ao menos pelos textos das últimas postagens, nas quais comento meu Teatro de Apartamento. E, se precisasse me defender, eu diria: estive, neste ano, ocupada com ações de micropolítica (e de saúde psíquica).

Mas acredito que não seria necessário me defender na minha própria casa. (Espero!)

A preocupação com a necessidade de defesa vem, concomitantemente, da minha consciência de como podem ser potentes as trocas virtuais – e também da consciência de outra potência: as polêmicas via internet.

Percebi que, em muitos dos textos postados aqui, eu não explicito, em palavras, mil por cento, o viés político que o cuidado com a infância necessita – sempre. Para 2018, quero mudar: serei mais explícita; discutirei algumas questões que acredito centrais para o crescimento das crianças, e quero falar mais sobre as [ricas? ou pobres?] relações entre arte e educação.

A continuidade do trabalho com os atores Raysner e Charles acontecerá por meio de um grupo de estudos, e propus, ao longo do ano, em considerarmos a possibilidade de manter “um canal no Youtube”. Quem sabe?

Sei de algumas questões sobre as quais quero falar; elas podem ser consideradas “bandeiras” – mas quero muito me sentir fazendo política de um outro modo: sem levantar mastros pesados ou remar muito forte contra a correnteza… Seria isso possível?

Cito dois exemplos, para anunciar aos leitores o que vem por aí: o direito da criança à verdade e o direito à expressividade (e ao silêncio). O primeiro mote diz respeito à conversa, ao acolhimento, à inserção no mundo (mas inserção no mesmo mundo! Habitamos, adultos e crianças, um mundo em comum! O que difere são os modos de habitar). O segundo mote diz respeito à minha crença de que crianças não precisam de visibilidade – aliás, está de fato faltando intimidade e privacidade para elas. E silêncio. Silêncio de um tipo específico: algo relacionado ao que o Winnicott chamou de “solidão compartilhada”.

Assim, tenho o desejo de escrever para adultos, por exemplo, sobre a exposição que eles fazem das crianças em imagens e vídeos na internet; e, mais radicalmente, no sentido de raiz mesmo, sobre a exposição vivida por elas em apresentações públicas… no modo palco-e-plateia.

Explico meu pano de fundo: em aulas na Licenciatura em Teatro da UFMG, estou sempre provocando meus alunos para que criem outros modos de trabalhar avaliação e mostras; “outros modos” seriam mais processuais e menos focados no “teatro bem feito” (aliás, estamos trabalhando com não-atores, certo?). A resposta da comunidade de alunos é praticamente invariável: os pais querem; a escola exige. Ao que eu respondo: mas… não dá pra tentar propor algo diferente?

Como seria trabalhar com os adultos a viabilidade e a pertinência outros modos de fazer arte com crianças e jovens?

Por que não podemos tentar mexer em estruturas hoje tão arraigadas, especialmente nas escolas e projetos sociais, por exemplo a da “apresentação final”? O artista educador não tem este poder e arbítrio? Se não tem, como e quando foi que isso aconteceu?

Como remexer com a comunidade adulta propondo bagunçar e redesenhar algo em seus imaginários  infantilizados que não os fazem ter crítica ao Dia do Índio no Show da Xuxa? E como é que muitos até mesmo desejam, ainda, fortemente, participar do Show, que deve continuar / must go on (nos pressupostos daquela estética, claro)?

Uma espécie de batalha de Dom Quixote com o Moínho, eu sei; mas quero propor isso, e por meio da pesquisa em teatralidades: algo novo para as relações entre adultos e crianças, relações renovadas nas quais

 a alegria não mais seria de plástico,

nem moraria em paraísos artificiais.

Feliz ano novo

 

6 comments for “Para fazer de 2018 um ano melhor

  1. raysner
    20 de dezembro de 2017 at 14:53

    Que alegria e que força saber que seguiremos juntos!
    Coragem pra gente.
    Vou de Sancho Pança!

  2. Taís
    21 de dezembro de 2017 at 18:35

    Apelante!!! Tamujuntasssss!!!! Bacione

  3. Mayron Engel
    26 de dezembro de 2017 at 23:17

    Obrigado Marina.
    Bom final de ano! Até ano que vem!!

  4. 1 de janeiro de 2018 at 22:59

    também tenho pensado muito sobre os modos de posicionamento político… nesses tempos tão pesados e doídos.. e adoecedores.. Saúde e Vida para nós em 2018!

    • agachamento
      2 de janeiro de 2018 at 10:14

      Que bom que esteve por aqui, Luciana! E que bom que compartilhamos, ainda e sempre, pensamentos e posicionamentos
      bjs
      da Marina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


6 × = quarenta dois