AGENDA para outubro e novembro, 2017

Ainda antes do Natal…

 Já chegou o feriado de 12 de outubro e ainda irei, “antes do Natal”, a dois eventos importantes: o CARTOGRAMA 2017 em Santos, São Paulo; e o Congresso CONFAEB 2017 em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Tive grande simpatia pelo CARTOGRAMA desde o início, quando me convidaram a falar, ao perceber que é um evento conjuntamente organizado por gente das artes e da saúde; gosto disso – de participar de algo que, em sua origem, já é interdisciplinar. Faz sentido para mim: pelos anos de estudo de Psicologia, e pelos anos de ensino na graduação em Psicologia, concomitantes com minha prática de artista-professora na EMIA-SP. Minha fala será teórico-prática (um tipo de oficina que mistura práticas e ideias, discussões e fazeres) e dei a ela o seguinte título:

PERCORRER A VIA MENOS PERCORRIDA

Aliás aprendi a usar a expressão “a via menos percorrida” com um aluno da graduação em Psicologia da Uninove, universidade privada onde trabalhei entre 2002-2007. Ele estava lendo um livro com aquele dizer no título (na verdade no livro era “trilha”, não “via”, e tratava-se de uma obra no campo da espiritualidade e autoajuda… fui ver no Google: uma leitura sobre viver bem, e honestamente) e foi meu aluno que fez a associação entre o título com a Fenomenologia, inserida no campo maior da Psicologia. Nada mais próprio: como e por que ocupar-se com uma proposta filosófica que não busca a cura nem promove saúde – mas busca a compreensão da doença psíquica e seus desdobramentos existenciais? Quem se ocupa com isso e dessa maneira está mesmo caminhando pela via menos percorrida.

E de fato, com o passar destes 10 anos, a via fenomenológica na Psicologia ficou cada vez menos percorrida… lugar onde se evita a medicação excessiva e as estratégias que maquiam o sofrimento humano.

Para o Cartograma, meu foco é o olhar fenomenológico para a criança, e as possibilidades que se abrem diante dessa via menos percorrida (pois a via mais percorrida é a desenvolvimentista, ou seja, o olhar para a infância por fases, etapas pré-determinadas a serem superadas… e por preparações para os próximos degraus). Se não olho para a criança por meio das fases, eu positivo a experiência da possibilidade mais possível, vivida aqui-agora; eu enxergo sua inteligência de modo pleno, e admiro suas conquistas sem achar que precisaria mais, ou “ser melhor ainda”. Enfim, trabalhar na chave da fenomenologia da criança seria evitar a maneira de trabalhar por competições e superações (modo que faz foco no que “não se tem” ainda). Podemos chamar o olhar fenomenológico como uma lida que positiva o fenômeno da infância. A temática da edição atual do evento Cartograma é “arte e infância”. Vou procurar discutir que diferença faz tudo isso no campo do convívio entre adultos e crianças, e no ensino da arte.

*

Na CONFAEB minha fala terá o título

INFÂNCIA COMO IMPROVISO /

POR UMA ABORDAGEM ESPIRAL NO ENSINO DE ARTES PARA CRIANÇAS

Neste evento, o Congresso da Federação dos Arte/Educadores do Brasil, participarei de uma mesa redonda – e nos pediram por textos. Escrevi uma reflexão (disponível em breve nos Anais do Congresso) que retoma os princípios da abordagem espiral no ensino de arte. É de extrema importância, pela abertura de espaço dada para mim na Confaeb, poder divulgar as ideias que desenvolvi ao longo do tempo, posso dizer ao longo de mais de uma década, sobre o ensino de arte na chave do hibridismo, ou das misturas entreartes – algo polêmico para aqueles que defendem o purismo de cada arte, e que definem arte como “linguagem”— pois cada linguagem teria sua gramática, sua estética, suas especificidades…

Meu ponto de vista é de que as artes podem habitar outro lugar: o do âmbito artístico-existencial; seria esta minha contribuição original, que não só remexe com certezas, como alerta para o risco da rigidez da via de mão única, e também para os corporativismos no campo de conhecimento ao qual pertenço.

Âmbito é sinônimo de lugar; haveriam lugares no corpo que nos levam ao que se denomina arte – mas que a criança pequena pode viver, se puder ser o que se é, como brincar e ser feliz. Ser feliz por sentir-se plena, habitando seu corpo, expressando-se com liberdade; liberdade situada, diriam os fenomenólogos: liberdade emoldurada pela cultura compartilhada e pelas regras e normas do convívio familiar, social e político.

*

A partir de muitos problemas pelo qual o campo da arte está passando, com perigosa pobreza de espírito das discussões entre apenas duas posições (“estar a favor ou contra”), descubro a potência, novamente, do pensamento de Paulo Freire. Ganhei de aniversário o Dicionário Paulo Freire e estou curtindo, depurando, absorvendo cada verbete… No texto para a Confaeb, fiz foco na noção de inédito-viável (que aliás eu nem conhecia!). Trata-se de um modo de pensar criação, transformação, e propostas que possam ser novas mas de fato possíveis. Sonhar sonhos possíveis! Será que o Brasil ainda comporta / suporta isso?

*

foto de Txay Tamoios tirada no Rolezinho na Rampinha

foto de Txay Tamoios tirada no Rolezinho na Rampinha

Outro acontecimento importante do mês de outubro, este no “microcosmo”: a ida ao ar (ou à nuvem? Rs) do novo desenho do site-blog Agachamento fará aniversário no dia 27. Durante o ano, foram feitas cerca de 20 mil visitações – e 100 mil acessos a postagens lidas, visitadas, impressas. Fico feliz com isso.

Foram publicadas 350 postagens desde janeiro de 2011, compiladas agora por suas temáticas (algo que o leitor encontra na página de abertura do site-blog à direita da tela).

A via menos percorrida vale a pena, também cava seus espaços, mapas, estradas e pousadas…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


um + = 6