Convite para o Quinto Agacho do AGACHO

Convite ao debate

Agachamento

Desde que o AGACHO é um grupo de pesquisa registrado no CNPq, faço com meus orientandos um encontro semestral aberto ao público para conversar sobre pesquisa em artes, e sobre as pesquisas em andamento sob minha orientação: é o que chamei de Agacho do AGACHO.

O quinto encontro será no dia 2 de junho, pela manhã, com a presença do professor, docente da FaE, pesquisador e artista, Vinícius Lírio. Ele é nosso parceiro no curso de teatro da UFMG, responsável pela orientação de dois estágios da Licenciatura. Penso que podemos ampliar essa parceria, misturando mais os âmbitos Belas Artes / Faculdade de Educação.

Quando o convidei tive uma ideia brincante – convite pra brincar comigo, conosco – e disse: que tal nos entrevistarmos mutuamente? Ele topou.

Depois, tentei inventar três perguntas interessantes e pertinentes, parecidas com os anseios e as angústias dos jovens professores de teatro em formação. São elas:

– Como eu faço para conseguir um resultado processual, que não precisa ser necessariamente espetacular?
– Como eu consigo avaliar o aluno de teatro sem ser apenas dando “notas” e “conceitos”?
– O que falta nas políticas públicas brasileiras em educação para o campo da arte ser realmente compreendido e valorizado?

Do meu ponto de vista, são quase que as “perguntas que não querem calar” nos meus cursos na UFMG, perguntas feitas pelos alunos e/ou imaginadas por mim, a partir da convivência. Muitos já trabalham com o ensino de teatro, em diferentes espaços (escolas, ongs, projetos livres); todos passarão pelos estágios obrigatórios; e, nas aulas, deixo claro que discuto, preferencialmente, “o que deveria ser”. Faço isso propositalmente: é minha metodologia. Metodologia de imaginar melhores dias; melhores situações de trabalho e de vida; projetar, sempre, que o teatro pode ser um meio de ser feliz, e de criar um mundo melhor. Esse seria o maior valor do nosso campo de trabalho. Junto a ser feliz em um mundo melhor, o teatro também é lugar de liberdade para ser triste e encarnar o mundo pior. O pior dos mundos é um possível potente pano de fundo ficcional. Tudo isso revela a substância transformadora e pensadora do teatro, imensa, embora muitos não a aproveitem o suficiente.

Muita gente faz uso do teatro para doutrinar, para adestrar, para moralizar. Podemos dizer que numa das pontas do cabo de guerra está essa força. Deve estar à direita. Na outra ponta, a antiestrutura, a rebeldia, a reflexão – incluindo o questionamento ao ato de doutrinar crianças e jovens, adestramento e moralização propostas por adultos que os dirigem em pecinhas bem feitas, por vezes com figurinos engomados cujo objetivo é cumprir a expectativa adulta de assistir e aplaudir “suas” crianças no palco. Infelizmente ainda é majoritário o pensamento do uso do teatro para dar visibilidade às maneiras de ser e estar no mundo do ponto de vista dos adultos (arte serve para… criança no palco é… etc.) Tenho para mim que a Licenciatura em Teatro em uma universidade pública deve trabalhar na direção de dar visibilidade aos modos de ser e estar no mundo do ponto de vista das crianças e jovens, em diálogo com os adultos, sim, e no mesmo mundo compartilhado. Isso se chama protagonismo. Mas… como fazer isso?

Quem quer debater precisa comparecer!

Vejam como:

QUINTO AGACHO

DO

AGACHO / Laboratório de pedagogias teatrais

No dia 02 de junho de 2017, das 10:00 ao meio-dia, no Espaço Laranja do prédio do Teatro da Escola de Belas Artes, na UFMG – Campus Pampulha, acontecerá o Quinto Agacho do AGACHO: encontro semestral do grupo de pesquisa da professora Marina Marcondes Machado.

Proposta: entrevista mútua entre Marina e Vinícius Lírio, aberta aos participantes.

Tema: o ensino do teatro hoje.

Agachamento

1 comment for “Convite para o Quinto Agacho do AGACHO

  1. Charles Valadares
    25 de maio de 2017 at 19:55

    “o teatro pode ser um meio de ser feliz, e de criar um mundo melhor”

    Esse dizer para mim se tornou uma estrela guia. No meio de tanta “desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada”(palavras de Brecht) é preciso acreditar na arte como modos de respiro para uma vida mais feliz! Sejamos vaga-lumes que persistem em existir.

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