O fim é um recomeço

mania de mapas!

O fim de um semestre para o professor universitário já é, parcialmente, o começo do semestre seguinte… Quando o processo avaliativo se instaura, me sinto sempre pensando no futuro: como trabalhar de modo a atingir o que a antropologia nomeou “eficácia simbólica”, em um mundo dominado pelo pragmatismo, pela rapidez, pelo desejo de ter e pelo esquecimento de ser…?!

Estou com mania de mapas. Fui percebendo que as lousas de algumas aulas também se configuram como mapas; tentei ir fotografando… de modo a perceber a mim mesma, com o outro (os alunos) no mundo compartilhado (Licenciatura em Teatro na UFMG). Estou neste lugar faz quatro anos. Penso já poder dizer algo “diagnóstico” da experiência vivida até o momento; tenho procurado fazer isso de modo público e transparente, o que significa conversar com os alunos: uma espécie de “roda de conversa final”.

Eu advogo que precisamos “ser o que se é”.

Minha contradição: querer que os alunos leiam e se interessem por leituras a seu modo, sem pressão da “leitura obrigatória” – a contradição é que eles não leem. Quase nada.

Eu advogo a “teatralidade” como campo a ser semeado entre crianças e jovens, pelo professor de teatro.

A contradição: nosso currículo privilegia a arte espetacular, a montagem, o trabalho de ator, a construção de uma corporalidade técnica, entre corpo e voz.

Eu advogo a “avaliação emancipatória”, na qual os alunos são protagonistas de seus processos e resultados de conhecimento.

Nossa contradição: os alunos por muitas vezes se mostram parados, cansados, cheios de tarefas e com pouco tempo livre – qualidade de tempo necessária para meditar, brincar, encontrar a si mesmo e depurar como e por que estão estudando para ser professor de teatro.

A cada semestre tento criar formas que evidenciem nossas contradições, tal como a kriptonita do Super-Homem! Sejamos pessoas comuns! Mortais empenhados em habitar nosso corpo próprio, para ganhar inteireza: tesão pelo que se faz, desejo de estar de fato neste tempo-espaço, aqui-e-agora. Toda neutralidade é suspeita. Engajar-se é necessário para tornar-se adulto criativo e capaz de copertença e capacidade de acolhimento ao outro.

 

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