O que quero dizer por “entretecimento”

Sobre entretecer memórias com conceitos e ficcionalidade

tear no Museu de Artes e Ofícios / foto Clara Bastos

Com o “mundo federal” borbulhando e quase-estilhaçado continuamos a rotina de aulas nos cursos de graduação. Pode não parecer, mas considero a prática do ensino uma ação política. Penso assim pois estou ensinando caminhos alternativos e trajetórias de “poéticas próprias”; talvez a professora Carminda André chamaria essas práticas de “táticas de guerrilha”.

A guerrilha é contra um tipo de dogmatismo e concepção majoritária do que é arte e do que é ensinar teatro. As táticas não são muito fáceis, pois dependem de engajamento e muita pesquisa por parte do futuro professor.

Nessas semanas que estão aproximando a todos meus alunos de avaliações das três disciplinas que leciono nesse momento, muitos que nunca tiveram aulas comigo se perguntam: “Como ir bem com a Marina?”

Essa postagem pretende responder a esse anseio.

“Ir bem” com a Marina é “ser você mesmo”. Parece simples, mas o cotidiano nos mostra que não é. Os alunos não tem o costume de “falar de si”; os alunos tem certas dificuldades no tear das tessituras entre eu-outro-mundo; os alunos leem pouco coisas que não são “da pasta do Vavá” (rs, é nossa lojinha de xerox).

Eu estou no mundo, e possuo uma história, uma geografia, uma trajetória, que preciso mapear; o outro é meu interlocutor e por vezes me antagoniza, mas preciso conhecê-lo, dialogar com ele, abraçar ou rejeitar; o mundo me espera, de modo que eu mexa com ele, que eu contribua com algo a partir do que passei fazendo por alguns anos na graduação da UFMG…

Esses são os fios a serem entretecidos no tear da poética própria: sua biografia, os pensamentos dos outros (pesquisadores, teóricos, filósofos e as crianças e jovens com os quais você irá trabalhar) e esse “mundão”: vasto mundo dos Raimundos e Josés, das Marias e Antonias… A tarde talvez fosse azul, não fossem tantos desejos (versos de Drummond). A docência em artes é vermelha (proposta da Marina aos outros no mundo compartilhado).

E você? Qual a sua cor? Flor? Fruta ou fantasia?

 

 

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