Poesia e sofrimento diante do caixa eletrônico

Inspirada no convite feito pelo espetáculo Mamá!, um trabalho primoroso de duas atrizes (Talita Braga e Andréia Quaresma) que assisti no dia 5 de março, montado com base em depoimentos de pessoas sobre mães e sobre ser mãe, criei o entrecho de etnoficção abaixo…

A etnoficção é um campo de (in)certo modo de operar no mundo e de criar… no qual é e não é “tudo verdade”; ou ainda: neste campo há uma recusa a fazer essa discussão. Já no espetáculo as atrizes (e obviamente o dramaturgo) brincam com a metodologia do teatro-documentário: tudo aconteceu, tudo é real; no entanto as atrizes estão fazendo teatro, vivendo discursos e momentos de vida de outras pessoas, no viés escolhido: maternagem.

O NOME DA MÃE

Em uma ação rotineira – e financeira – tirar dinheiro do caixa eletrônico, eis que o Banco do Brasil evoca minha mãe. Entre seis nomes, preciso escolher:

Qual é o nome da sua mãe?

Primeiro impulso, sempre: querer dizer, talvez gritar, ou até poderia digitar:

Minha mãe morreu.

Em 1995.

Só que não.

Ela permanece viva em mim, em alguns retratos, memórias e cheiros.

E possivelmente na maternagem do meu filho.

cadê minha mãe?

Vamos ali fumar um cigarro que eu te conto mais…:

… minha mãe morreu de câncer do pulmão.

O nome dela era Dulce.

 

Para saber mais sobre a “fonte de inspiração” desta postagem, consultem: www.zulaciadeteatro.com.br

 

 

2 comments for “Poesia e sofrimento diante do caixa eletrônico

  1. Raysner de Paula
    11 de março de 2016 at 11:53

    Eu também assisti Mamá! Fui no domingo. Foi uma experiência valiosa. Sua “resposta” ao espetáculo também me toca.

    Ai, mãe!
    a minha.
    a sua.
    a mamãe pato…

    saudades, Marina.

    Um beijo
    do Raysner

  2. 15 de março de 2016 at 04:40

    Que lindo texto Marina!

    Beijos!
    Talita

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