Sobre O Menino e O Mundo

quando o pai vai embora

O Menino e o Mundo é o nome do longa metragem de animação feito por um brasileiro (Alê Abreu, produção de 2013) e que concorreu ao Oscar – por sí só, uma grande façanha… Assisti durante o Carnaval, para fugir do barulho e do trio elétrico de péssima qualidade que baixou na minha esquina. Um “plano de fuga” bem sucedido: valeu muito a pena.

O que me conquistou inicialmente foi um tipo de simplicidade no traço, e o uso do crayon (lápis de cera). Conversou diretamente comigo – comigo adulta, e com a criança que eu fui. Depois, aos poucos eu pensava: esse filme se agacha! (rs) Significando: um filme simples sobre coisas angustiantes e tristes, e ainda por cima, concorrerá ao Oscar!

As coisas angustiantes e tristes giram em torno do mote inicial do enredo, que não tem diálogos estrito senso e que vai sendo composto de modo polimorfo e plástico: a ausência do pai. Algo que permanecerá não resolvido. As tristezas advêm do mundo dos adultos. Do mundo do trabalho e das “coisas em série”. Enquanto que, o tempo todo, mesmo rabiscadinho, o menino é único, e os adultos são mais uniformes.

Há apenas uma veia forte de comercialização, ou uma concessão: a trilha sonora. Os modos de desenhar são infinitamente mais ricos e densos do que os usos da trilha; talvez nesse combinado (refinamento de imagem e enredo e sonoridade facilitada) o filme tenha ficado mais palatável para chegar onde chegou, concorrendo ao Oscar. Talvez não houvesse público que aguentasse a tristeza e a angústia também nas vias do silêncio ou das paisagens sonoras, como penso ser potencialmente a trilha mais criativa e instigante. Mas percebi isso com clareza apenas depois de ler um texto maravilhoso sobre o filme, cujo link deixo aqui:

http://revistacinetica.com.br/home/o-menino-e-o-mundo-de-ale-abreu-brasil-2013/

Para quem trabalha com arte e crianças, como penso ser o leitor mais usual do Agachamento, conhecer o filme e passar para os alunos será rico e interessante: levar para crianças e jovens outro padrão de desenho e de estética, em uma obra extremamente bem cuidada e recheada de referências cultas, mas que todos podem compreender a seu modo… vale demais! Confiram.

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