De volta às coisas mesmas

Passado o entusiasmo, grande, com o prêmio e as subsequentes ‘cerimônias’, agora é hora de voltar ao cotidiano ordinário… embora a vida no mundo circundante não esteja nada comum: terrorismo na França, lama tóxica em Minas Gerais, processo de impeachment em Brasília, surto de bebês microcéfalos, polícia batendo em estudantes secundaristas em São Paulo…

No microcosmo, final de ano na UFMG: e 2016 promete ser ainda mais árido e difícil, em termos financeiros especialmente. Algo preocupante, assustador, e que requer uma dose absurda de otimismo (quase nonsense) para continuarmos em frente.

Mas há algo de novo no front: as ocupações de jovens em escolas públicas. A noção de “ocupação” revisitada por menores de idade! Um tipo de performatividade na qual, de alguma forma, jovens expressam um tipo de amor declarado a espaços antes vistos como especialmente mal amados: a escola pública paulista. Inusitado, renovador, baldes de água fria derramadas na mediocridade adulta em termos de poder público.

Ao mesmo tempo que tudo isso acontece ao meu redor  estou escrevendo um texto sobre uma guerra de maçãs ocorrida entre crianças e jovens, no momento do final do almoço, em uma escola estadual da capital de São Paulo. Fica em mim a sensação de que de fato a lista de material necessária é: eu e você.

As famigeradas reformas educacionais, as reclamações recorrentes acerca do espaço quase-prisional das escolas públicas, as verbas gordas gastas com (re)formulação de material didático-pedagógico escrito por profissionais das melhores universidades… mas que por vezes nada sabem do cotidiano escolar vivido hoje… Nada diferente acontecerá, se as pessoas novas e velhas não dialogarem, se o professor não estiver decidido a enfrentar o desafio relacional, se os pais não forem solidários e contundentes nas questões da infância e juventude contemporâneas.

imagem Carta Capital

Por mais absurda e catastrófica a situação que os noticiários nos apresentam – polícia batendo em jovens que querem lutar por sua educação e para serem ouvidos em algo que lhes diz diretamente respeito – há algo incrivelmente novo e promissor. O protagonismo desenhado em documentos oficiais agora surge na porta da escola, nas corporalidades dos alunos mesmos! E com tal força, que os políticos que desenham projetos nos quais desejariam o fortalecimento do “ator social protagonista” não suportam? Como assim?

Para saber mais acesse: https://vimeo.com/147639290

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


seis × 9 =