Re-conheci Regina Casé

Re-conheça Regina Casé você também

foto de divulgação do filme "Que horas ela volta?"

Alguns dias atrás assisti ao filme de Anna Muylaert chamado “Que horas ela volta?”. O filme está bastante comentado e divulgado; aqui, gostaria de dizer algo sobre a atuação de Regina Casé, como a empregada Val.

Para comentar quem é Regina Casé “para mim”, será preciso fazer uma viagem no tempo, voltar para a década de 1970 e contar ao leitor uma das minhas grandes referências para querer fazer teatro: o grupo “Asdrubal Trouxe o Trombone”. Assisti em São Paulo ao espetáculo “Trate-me leão”; não fazia teatro, achava que ia ser médica (rs: filha de pediatra com psiquiatra…); mas, ao ver aquele trabalho, aquela juventude, aquele dizer e modo de dizer… e ao perceber que era uma “profissão”, decidi “ser aquilo”. Ou ir “fazer aquilo”… e fiz: teatro amador no Colégio Palmares, curso técnico no Teatro Célia Helena, curso de férias com o Pod Minoga… Vestibular para a ECA-USP e depois, dois anos e meio de imersão na estética do Ventoforte.

Regina Casé era uma deusa da improvisação, do jogo, da brincadeira e da “teatralidade do cotidiano”: as cenas eram fruto de “criações coletivas” que falavam, sem cenário ou figurino, da vida mesma de jovens cariocas… Lembro que trocavam-se em cena, e que ela batia um bolo “invisível”, numa gestualidade tal que todos, absolutamente todos os espectadores enxergavam as claras em neve! O clima e a atmosfera era de alegria e júbilo, de puro jogo, de um tipo de teatro de vanguarda que fez, depois, escola no Brasil.

Virou o século e eu ficava bem triste, quase deprimida mesmo, quando via a Regina Casé na campanha publicitária da Caixa Econômica Federal… quem lembra? Ela vendia o peixe de empréstimos para aposentados.

Agora, em 2015, pude me reconciliar com Regina Casé: por meio da sua atuação no filme “Que horas ela volta?”. Fico feliz de ver que aquela pessoa, aquela atriz-sem-máscara, aquele tipo de pesquisa na corporalidade mesma, deixando surgir a personagem como se… Enfim, obviamente, é preciso destacar o roteiro e a direção de Anna Muylaert. (Com quem também tenho algo em comum: entramos em 1980 na Escola de Comunicação e Artes da USP e, em certo momento, abandonamos nossos cursos…)

O filme não precisa de recomendação: muita gente falando dele, até indicação para o Oscar 2016… mas precisamos falar muito sobre o que o filme fala! Para compreender a imensa dimensão existencial deste trabalho acesse:

http://nosmulheresdaperiferia.com.br/cronicas/que-horas-ela-volta-e-os-sonhos-de-minha-mae-para-mim

 

 

1 comment for “Re-conheci Regina Casé

  1. Rayza Luppi
    7 de outubro de 2015 at 17:06

    Bom demais ler sua referência da Regina Casé, não tinha ideia disso tudo, rs. Filme maravilhoso!

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