O que fazer na Universidade Federal em momento de crise?

Possibilidades na crise para trabalhar nas Universidades Federais

Estive, na semana que aqui termina, em diferentes eventos do Festival de Inverno da UFMG, mas quero falar sobre uma espécie de roda de conversa acontecida no dia 21 de julho no Conservatório de Música da UFMG. Era o momento que os organizadores chamaram de “Fórum de Diálogo”; o tema neste dia foi “O Espaço da Universidade na Cidade e da Cidade na Universidade” e os professores convidados para disparar a discussão eram Cássio Hissa e Christine Greiner. Conhecia Cássio Hissa como autor e fiquei contente em conhecê-lo pessoalmente. Tudo que ele dizia ressoava em mim, fazia sentido para mim; se bem entendi, ele adota – e recomenda – uma atitude low profile em relação às demandas institucionais relacionadas à produtividade, internacionalização, e uma porção de outros índices quantitativos classificadores dos cursos, entidades, professores, seus artigos e livros, etc. Por atitude low profile entenda-se: um modo de ser que se opõe ao “high profile” (alto índice de produtividade); um tipo de modéstia e de tranquilidade; uma conexão com outra temporalidade.

Agora, conhecendo o professor Cássio de perto, tenho certeza de que isso é possível – e que pode ser uma maneira política [e talvez polida] de dizer algo àqueles que aderiram ao modo eficaz, produtivo, atraente e brilhante: tem como fazer diferente.

Meu entendimento deste outro modo de fazer, ser e estar me tranquiliza, pois positiva a crise atual nas universidades e os famigerados cortes de 75%.

Seria algo como conectar nos 25% ‘restantes’ e ser você mesmo.

Seria recusar a demanda, por vezes desenfreada, das comissões, das bancas, dos convites seguidos para falar e escrever, se eles significarem apenas comidinha para o Lattes.

Nossas pesquisas devem servir refeições essenciais para os mais jovens.

Nossa atitude e conexão ética, estética e política já são nossa possibilidade mais possível de produzir conhecimento e afeto.

Sobre a internacionalização, imagino: façamos intercâmbios com a Etiópia. Crianças muito pobres na África negra trabalham desde sempre. Valeria muito para a fenomenologia da(s) infância(s) observá-las e compreender a antropologia das relações adulto-criança, no âmbito do que é brincar como ‘direito universal’ neste contexto. Quantos pontos eu alcançaria com esta ideia? Quantas adesões? Quanto dinheiro alavancaria para a passagem e a publicação? Foi esse rumo que a mobilização, em mim, tomou, depois daquela roda de conversa na presença do professor e da pessoa de Cássio Hissa em diante.

"slow down / you move too fast / you've got to make the moment last"

1 comment for “O que fazer na Universidade Federal em momento de crise?

  1. TAIS FERREIRA
    23 de agosto de 2015 at 13:08

    oba! não conheço prof. cássio, vou procurar cousas dele pra ler. besos

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