A girafa morreu enforcada

Sim, a girafa morreu enforcada. A segunda girafa morreu de tristeza, por solidão – elas são gregárias. Foi o que nos foi dito por uma funcionária, em um discurso quase-irônico, na visita ao Zoológico de Belo Horizonte, no dia 2 de maio.

O leão, está no veterinário.

E muitos outros detalhes de vida seca e sem cor, no Zoológico de Belo Horizonte: lugar no qual desejava ir desde que cheguei por aqui, e só fui quase três anos depois.

Na verdade o desejo tinha um mote: conferir o usufruto das crianças bem pequenas, de ver os animais “ao vivo e a cores”. Pois um dia criei um bordão: mais vale ver uma girafa viva do que teatro infantil ‘representado’ por adultos para bebês.

O teatro para bebês tem sido alardeado, cultivado, elogiado… concebido por adultos e atuado por eles, para crianças de zero a três anos. Os seguidores do Agachamento sabem minha posição. Visitar o Zoológico era algo na direção das culturas da infância: como as crianças compreendem a corporalidade do elefante?

Na “pesquisa de campo” fiz duas constatações iniciais.

A primeira: devo parar de elogiar a girafa de zoológico. Ela morreu enforcada. Ela não deveria estar em Minas Gerais, Brasil – ao menos não nas condições que lhe forneceram.

A segunda: sim, havia muitas e muitas crianças de colo pelo zoológico afora e adentro. Seguidores do Agachamento? (rs) Não, apenas pais comuns procurando um dia de lazer no sol de outono em um belo horizonte.

atenção: esta não é uma foto sépia

Mas a sitação, o contexto, o cenário, a paisagem era de elefantes marrons – não cinzas. Por que o elefante mineiro é marrom? Poderia poetizar e dizer ruivo ou dourado. Mas de fato ele está mesmo é empoeirado e com muito pouca água a seu redor. Aprendo no Google que um elefante precisa de mais ou menos 85 a 110 litros de água por dia. Então, agora sei: o elefante mineiro é marrom de melancolia. Marrom de saudade empoeirada de suas outras possiblidades mais possíveis… viver sua vida de elefante, não de brinquedo gigante.

Agora mudarei meu bordão: mais vale passear com meus entes queridos ao ar livre em busca do sol, do vento, da terra e da chuva – a infância ‘comigo’, do que estar [mesmo que com eles, os entes queridos] em uma sala de espetáculo com poltronas e luz colorida que representa a infância ‘para mim’. Ao menos entre os zero a três anos de vida… “Salvo melhor juízo”.

 

2 comments for “A girafa morreu enforcada

  1. charles Valadares
    12 de maio de 2015 at 14:33

    há algo de muito melancólico no zoológico.
    existe a “alegria” de ver animais que possivelmente não verei jamais fora dali. Mas há também uma morbidez dentro daquelas jaulas e gaiolas. Um não pertencimento de espaço. É quase um “cemitério vivo”.

    Talvez por isso eu tenha passado tanto tempo longe de lá.
    Agora só daqui 14 anos… rs

  2. Raysner
    15 de maio de 2015 at 00:39

    Eu acho que vi uma arara pedindo socorro…

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