Quem tem dúvida sobre o brincar imaginativo?

O circo do artista e performer Alexander Calder

Calder dá caldo

O artista norte-americano Alexander Calder (1898-1976) construiu um circo de miniaturas e performou este circo por muitas e muitas vezes, em inúmeras ocasiões. Trata-se de um artista que dedicou-se a fazer seus brinquedos… desde os quatro anos de idade!, e continuou conectado na potência criativa do brincar imaginativo.

Um dos meus alunos do curso “Brincar, Criar, Teatralizar, Viver”, disciplina optativa que estou oferecendo na graduação da Escola de Belas Artes da UFMG neste semestre, que me lembrou… que me fez revisitar Calder.

Mais ou menos no mesmo momento, vejo na TV uma matéria sobre a recuperação do mercado nacional de brinquedos. Eles vão a uma feira de brinquedos e de novidades. As “coisas” produzidas hoje no Brasil, e que são consideradas novidade e do desejo das crianças, são desanimadoras.

Desanimadoras porque a anima (alma, energia) dos brinquedos são a tecnologia. Os fabricantes estavam muito entusiasmados com a empreitada, com o casamento indústria de brinquedos e tecnologia.

Os brinquedos, mostrados na reportagem, são criaturas. São grandes e falam, cantam, dançam e representam. Tem baterias e/ou micro-computadores embutidos, e custam bastante dinheiro.

Convido o leitor do Agachamento a não comprá-los.

Vejam o circo de Calder! Mostrem o circo de Calder para suas crianças, filhos, alunos, netos, enfim, para “as crianças de hoje”. Façam seu circo de Calder!

A questão que não foi discutida na matéria sobre a recuperação da indústria de brinquedos, foi o papel do adulto nesta engrenagem…

… brinquedos que cantam, dançam e representam levam para “o pequeno consumidor” um faz de conta absolutamente pré-fabricado, embutido no personagem, no produto cultural mesmo – obra de adultos que consideram que a criança quer e precisa deste tipo de estímulo (língua de consultores). Ah! É higiênico, e seguro.

Língua de uma possível antiestrutura: pensem que as crianças podem ser não-representacionais, como propos Merleau-Ponty em sua visão sobre a primeira infância. Pensem que as crianças precisam de poucos elementos materiais para brincar; e iniciam-se com seu corpo.

Depois, pensem que, à la Calder, todos podem tocar no mundo como criadores. As coisas estão ali para serem achadas: madeiras, tampinhas, cordões, pedaços de pano. Lista de material para começar a brincar de modo imaginativo: eu e você. Gente. Relações. Gesto e palavra. Simples assim.

Para saber mais sobre Alexander Calder, visitem seu site oficial: http://www.calder.org/

E para conhecer brinquedos cuja anima está nas mãos e na imaginação da criança:

http://www.sociobrinquedos.com.br/

 

4 comments for “Quem tem dúvida sobre o brincar imaginativo?

  1. Floriano Marcondes Machado
    22 de abril de 2015 at 15:00

    Quando meus sobrinhos eram pequenos, 25, 30 anos atrás, apenas um brinquedo deles me deu desânimo: um carro a pilha que apitava-girava-subia-descia sozinho. Qualquer Barbie é muito mais brincável que este automóvel. Quase qualquer coisa é brincável! Menos coisas que se brincam sozinhas, é claro.

    • agachamento
      22 de abril de 2015 at 21:28

      Oi Floriano! fico feliz com sua visita, e com sua memória dos brinquedos de 25 ou 30 anos atrás… bjos da Marina

  2. Thaise
    10 de junho de 2015 at 04:03

    Oi Marina!
    (faz tempo que eu não comento aqui, né?)

    A lembrança do Calder me lembrou outro artista-bonequeiro: Paul Klee. Você conhece os bonecos e fantoches dele?

    (Achei alguns aqui, nesse link meio aleatório: http://thinnimbus.tumblr.com/post/95980575358/sixteen-hand-puppets-made-by-paul-klee-for-his-son

    Se você não conhece ainda, acho que vai gostar!

    Uma abraço e obrigada por seguir postando. =)

    • agachamento
      10 de junho de 2015 at 16:36

      É mesmo Thaise, senti sua falta! Que bom que colocou o link, eu vou visitar e conhecer, e os leitores do Agachamento também poderão fazer isso.
      Saudades, da Marina

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


1 + = cinco