Estagiário zen • Adulto condutor • Professor performer

árvore de café

pequena homenagem a Isabela e Tadeu

Passada a semana intensa das defesas dos Trabalhos de Conclusão de Curso da Licenciatura em Teatro da UFMG, fica a sensação por um lado de “dever cumprido”, pois organizei as dez defesas e assisti a todos os trabalhos, e por outro lado, de que meu percurso nesta universidade está agora semeado. Ao mesmo tempo em que os meses de estágio probatório terminaram, vejo que os alunos que fizeram disciplinas comigo, colheram frutos do pensamento que divulgo e acredito – em um trabalho em equipe com os professores Eugênio Tadeu e Ricardo Figueiredo. Cada um de nós e a seu modo proporcionou aos alunos do último semestre do curso o encontro de um lugar reflexivo que permite a escrita do TCC em primeira pessoa, com forte cunho biográfico, e sempre em sincera conexão com suas inexperiências, dificuldades, falhas e desejos de saber mais.

De minha parte, destaco três termos, noções, “palavras-chave” que vi muitos dos alunos pronunciarem, como “citações” do tipo como diz a Marina… São elas: “estagiário zen”, “adulto condutor” e “poética própria”.

Sobre ser um estagiário zen, fico contente em imprimir esta marca entre os jovens licenciandos. Criei esta expressão mas preciso dar crédito ao psicanalista D. W. Winnicott, que em sua teoria da criatividade introduziu o “adulto suficientemente bom” – que para ele nada mais é que “a boa mãe comum” (expressões traduzidas do inglês, obviamente). A mãe comum ou o adulto suficientemente bom é aquele que possui bom senso e que é capaz de estar presente e ausente, ao mesmo tempo; presente para acompanhar a criança em suas necessidades, ausente para que a criança descubra o mundo a seu modo. A descoberta do mundo, para Winnicott, pode ser de tal maneira que a criança crê que o mundo estava ali a esperar por ela; a isso ele chama “espaço de ilusão”.

Transpus também as noções de Winnicott para a arte e educação, ao dizer em meus textos e aulas que o professor é “o adulto condutor”. Também posteriormente disse que o adulto que ensina arte pode ser um professor performer: par complementar da criança performer, noção delineada por mim em minha pesquisa de pós-doutorado em 2009.

Sobre a poética própria já escrevi uma série de postagens, esclarecendo o que quero dizer com isso, seja em conversas ou em textos mais densos; os leitores do Agachamento poderão procurar por esses apontamentos pela ferramenta de busca do site-blog.  Estou agora preparando um texto que fará sentido como fechamento de meu primeiro ano de atuação na pós-graduação, tematizando a etnografia na pesquisa em artes.

A sensação em uma das bancas foi: “Já posso morrer!” — pois a aluna realizou sua poética própria, trabalho bordado por sua biografia em conexão com diversos autores e alguns de meus estudos, orientada não por mim, mas pelo Ricardo. Ironias à parte, fico feliz por contribuir com a escrita de si dos alunos do curso de Licenciatura em Teatro da UFMG. Recebendo a mim e a minhas ideias, eles também contribuem para a continuidade de minha escrita (e vida).

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