Bebê bossa nova, menina jovem guarda…

Na semana que termina agora, tive uma experiência muito intensa e significativa na UFMG, “performando” no evento do Núcleo de Pesquisa chamado NACE. Descompromissadamente organizei uma fala que reunia “23 dados biográficos” – que escrevi em papeizinhos, colocados,  enumerados, dentro de uma lata de bombons sonho de valsa. Apenas no momento da apresentação, daquilo que nomeei uma “forma-conteúdo”: falar de pesquisa em infância e cena contemporânea remetendo-me à minha infância, ao teatro contemporâneo, e às relações possíveis do “estado de infância” com a performance… que pude perceber que não era nada, absolutamente nada, “descompromissado”. A reação dos ouvintes, especialmente dos alunos de teatro, me levou a voltar a pesquisar boas fontes para argumentar a favor da pesquisa (auto)biográfica como pano de fundo importante no trabalho etnográfico como um todo. “Dizer  de si”; dizer algo de si com o outro, no mundo, reverbera em todos e em cada um.

Pequena de tamanho mas precoce na fala, lorinha de olhos azuis, eu chamava atenção (e detestava isso!); os adultos queriam fazer bilu-bilu e eu fugia, me escondia atrás das pernas da minha mãe; mas perguntavam meu nome e eu dizia: “Marina”. In-va-ri-a-vel-men-te o adulto interlocutor… cantava “Marina Morena”!! Ao que eu muito brava dizia: “Não sou morena!”.

Sempre digo algo sobre uma “infância de bolinhos de lama”. Não que o bolinho fosse tão fundamental – mas sim, a possibilidade de mexer com água e terra, e sujar-se, sem problemas (sem jamais precisar de sabonete anti-germes!!!). Nascer “com” a Bossa Nova, ser criança ao som… da jovem guarda e dos Beatles! Disse minha mãe que comecei a dançar com dois anos e meio, o “Twist and Shout”. Podem imaginar o que é isso, hoje, em mim?

2 comments for “Bebê bossa nova, menina jovem guarda…

  1. Vânia Silvério
    12 de setembro de 2013 at 01:45

    Oi Marina, li esta postagem hoje,e é véspera de meu aniversario, eu já esta mesmo lembrando de outros tempos e aqui logo fui para os tempos em que eu brincava na rua, rua que vivia cheia de crianças, me sujava toda, meu pai me beliscava quando eu demorava a voltar pra casa rsrs, e eu sempre deitava olhando pro céu e esperava a fadinha sair de trás das nuvens para me visitar. Também não precisei de sabonete anti- germes rsrs. Abraços!!!

    • agachamento
      12 de setembro de 2013 at 11:48

      Que bom Vânia! Que os germes e sua convivência conosco (rs) — ao que minha mãe denominava de modo brincante “Vitamina S” (de sujeira.. mas posso acresecentar, de saúde!) nos deem resistência ao higienismo e ao uniforme branco!! E parabéns pelo aniversário
      bjo da Marina

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